Monitores
Postado por Paulo Assisfev 25
De nada adianta um microfone caríssimo, uma mesa de som fantástica, efeitos, um computador com os melhores programas instalados, se depois de tanto trabalho e dinheiro investidos, a sua música for mixada num sistema ruim de alto-falantes.
Todos os sistemas de sonorização, desde um par de caixinhas “multimídia” de computador até um sistema digital THX de última geração são projetados visando um único objetivo: A reprodução fiel do som. Isso parece bobagem, mas quando se está ajustando uma música para que ela soe bem, a conseqüência é a necessidade de ouvir a música a partir do sistema mais fiel possível.
É um problema de referência: Se uma música é mixada num sistema com poucos graves, quando ela for reproduzida numa caixa com os graves corretos, o som ficará com excesso nessa faixa de freqüência. O mesmo acontece em outras faixas do espectro sonoro.
Outro problema muito freqüente em monitores de baixa qualidade é a falta de definição do som, resultado da dificuldade do falante de responder em tempo real às solicitações vibracionais da música. O resultado disso é a falta dos detalhes na música, as sutilezas desaparecem porque a película não conseguiu vibrar em tempo. A tendência, quando isso ocorre, é exagerarmos em agudos ou ficarmos sempre insatisfeitos com a mixagem.
Um assunto pouco tratado quando falamos de monitoração é o volume apropriado para utilização contínua. Todos nós sabemos que longa exposição a sons altos prejudica a saúde de nossos ouvidos, mas pouca gente lembra que, além disso, existe um volume ideal para audição, relacionado à pressão sonora ideal, que faz com que altos volumes aumentem a sensação de freqüências graves e agudas, desequilibrando completamente a mixagem.
Ao mixar, eu sempre tento manter o menor volume suficiente para ouvir todos os detalhes, parando para ouvir a música em diferentes volumes, mais altos e mais baixos. Um monitor é bem utilizado quando tende a reproduzir a situação de audição comum da música, não a situação ideal de audição dentro de um estúdio.
Durante muito tempo, devido a restrições tecnológicas, para reproduzir corretamente graves era necessário grande massa e potência nos falantes, o que levava os estúdios à solução clássica: A sala de mixagem é um ambiente relativamente grande, super-preparado acusticamente, para que um par (ou mais) de caixas façam seu trabalho em alto e bom som, proporcionando respostas adequadas em todo o espectro de freqüência, porém num volume bem alto.
Near Field
A solução de grandes caixas ainda é a mais utilizada em estúdios, mas em home-studios, devido ao grande custo de instalação acústica e necessidades de espaço e potência sonora, um método mais modesto porém não menos eficiente é padrão: O monitoramento near-field.
Trata-se do uso de monitores bem menores do que os usados em grandes estúdios, porém com capacidade de responder muito corretamente a todas as freqüências que interessam e usando um volume de som muito menor, o que facilita seu uso dentro de casa.
Ao escolher um monitor para seu home-studio, leve em conta o espaço disponível e seu tratamento acústico. Os near-field praticamente dispensam o tratamento em ambientes “normais”, pois a maior parte do som virá diretamente das caixas, e não das reflexões do ambiente.
Como os falantes estarão próximos ao ouvinte, a diferença de volume entre o som direto e as reflexões será muito grande. Claro que estou falando em condições normais; se você grava suas músicas dentro de uma caverna, talvez deva repensar alguns conceitos de acústica antes de mixar!
Posicionando os monitores
Em grandes estúdios milionários com acústica calculada ou em modestos home-studios no meio de um quarto, o posicionamento dos falantes é essencial para a mixagem, pois os sons, saindo de duas fontes, se cruzam e se anulam em alguns pontos específicos do ambiente, gerando áreas “cegas” a algumas freqüências.
Ao posicionar seu falantes, tente sempre ouvir o que acontece com o som nas diferentes regiões do estúdio. Para isso, toque um ruído rosa ou algum outro som com todas as freqüências equilibradas, e ouça com cuidado o que acontece com o som perto dos monitores, no canto das paredes etc. Algumas freqüências desaparecerão, outras serão ampliadas.
Posicionar monitores near-field é muito mais fácil do que grandes caixas. Por não serem tão influenciados pela acústica do ambiente onde estão, esses falantes precisam essencialmente de caminho livre à sua frente e de ficarem posicionados formando um triângulo eqüilátero com a cabeça de quem está mixando, de 90 centímetros a um metro e meio de distância. Posicione os falantes na altura do seu ouvido.
É preciso cuidado ao posicionar um par de near-field para evitar com que freqüências sejam canceladas, o que acontece de maneira muito mais evidente neste caso. Com um pouco de prática, você perceberá que existe uma área onde sua cabeça deve ficar. Longe dela, o som perde muita definição e espacialidade, pois as ondas começam a se cancelar.
Apoiar corretamente os monitores também é importante, já que eles são caixas vibratórias. Se você apóia-los diretamente em uma mesa cheia de objetos, eles poderão vibrar, atrapalhando a mixagem. O correto é isolá-los do apoio com algum material que absorve vibrações, como borracha, EVA ou espuma de alta densidade.
Hábito
Ouça muitas músicas no seu par de monitores antes de sair mixando. Seus ouvidos devem estar equilibrados para as caixas que você usa, ou você distorcerá o equilíbrio de graves e agudos.
Ouça principalmente os discos que você gosta e tem o hábito de ouvir, discos “clássicos” em termos de mixagem e também álbuns do estilo que será seu próximo trabalho de mixagem.
No final do capítulo de mixagem eu coloquei alguns exemplos de discos que uso. confira, faça seus testes e não deixe de criar sua própria lista. Ela é essencial para “calibrar” seus ouvidos antes e durante uma mix!
Vários monitores
Além de ter um bom par de monitores de referência, eu sempre aconselho testar a mixagem em diferentes meios. Ligue aquele par de caixinhas multimídia que vieram com seu computador. Muitas pessoas ouvem músicas nelas. Como soa sua mixagem numa delas? Teste também no carro e em outros sistemas de som, é a partir dessa experiência que virá o bom uso de seu novo par de caixas.
7 comentários
Comentário por Leonardo em 25 de fevereiro de 2010 às 21:34
bem legal, boas dicas, será que voltou de vez agora ?
Comentário por Paulo Assis em 25 de fevereiro de 2010 às 21:39
É, estive fora do ar por uns tempos… espero ter voltado de vez, e com força total! Obrigado mesmo pelas visitas e pela “audiência”, elas são o incentivo de continuar!
Um abraço
Paulo Assis
Comentário por Daniel em 26 de fevereiro de 2010 às 22:02
Graaande Paulo, que bom que voltou, seus excelentes artigos fazem muita falta, realmente monitoração é um assunto muito importante.
Abraços
Comentário por Régis Bardini em 14 de março de 2010 às 12:18
ola
acompanho os comentários e estou tendo muito proveito..mas não to conseguindo acabar com um pequeno problema que me deixa de cabelo em pé, meus monitores são M-audo bx8a, comprei por bom, mas tem uma nota que parece que acopla e me deixa com dor de cabeça, que é o si natural quando tocado por violão baixo ou teclado. To forando com carpete as paredes atrás de mim, pois acho que pode estar voltando e acumulando bem na minha orelha, me falta tapar uma parede do lado, mas ja acho que esse não é o problema, pois se coloco esse som pra tocar, subo num banco na frente dos monitores o som fica normal…e agora???
Comentário por Paulo Assis em 17 de março de 2010 às 10:12
Olá Régis
É difícil dar um diagnóstico assim “às surdas”, mas analise se os monitores estão ressoando onde eles apoiam. Muitas pessoas fazem grandes instalações acústica se esquecem que se você colocar um elemento vibratório (o monitor) numa superfície, há uma tendência a essa superfície vibrar e ampliar as frequencias que lhe são próprias… isso acontece apenas com essa frequencia? Crie um áudio de uma onda simples indo de 20Hz a 22KHz, e ouça com atenção.
Boa sorte!
Paulo Assis
Comentário por Kid Meagawatt em 16 de abril de 2010 às 16:42
Por favor… só mais uma coisinha: o que você acha desse monitor: monitor Ativo Krk Rokit Rp5 (geração 2)? Obrigado!
Comentário por Paulo Assis em 22 de abril de 2010 às 17:16
Os KRK costumam ser legais, mas eu não conheço o modelo, sorry!
Paulo Assis