
Antes, tudo era música ao vivo. Daí inventaram os métodos de gravação, e logo um maluco resolveu utilizar uma gravação em uma gravação. A partir desse conceito de áudio pré-gravado, as possibilidades são infinitas. Pode-se fazer música sem nenhum instrumento; pode-se repetir um sample em loop, criando um ritmo ou uma frase melódica; pode-se substituir um instrumentista ausente ou deficiente em alguma passagem. Mas, afinal, o que fazer com os samples?
Sample, no final é qualquer coisa pré-gravada. Você pode fazer seus próprios samples, específicos para uma música, pegar de um banco de samples ou roubar de alguém. Bom, essa última opção não é muito recomendada, a não ser que você pague os devidos royalties – muitas músicas conhecidas tiveram esse problema. Para citar um, comento o Ice Ice Baby do Vanilla Ice roubado descaradamente do Under Pressure do Queen. Mas isso é uma história velha e metade dos leitores nunca deve ter ouvido falar. Sorte de vocês, Vanilla Ice era muito ruim!
Quando você grava seus próprios samples, não há muito segredo diferente do resto da produção; são necessários os mesmos cuidados de gravação, e se você vai utilizar o sample de forma rítmica, é saudável manter um grid e saber onde está o início do compasso no sample.
Agora, quando você está utilizando um sample que veio pronto de algum lugar é preciso tomar alguns cuidados. Além das questões legais citadas anteriormente, é preciso analisar os aspectos técnicos do seu sample. Veja com muita precisão o tempo de um sample de loop; uma diferença de milissegundos pode virar uma dessincronia depois de várias repetições. E o seu ritmo vai pro saco.
Um sample costuma ser trabalhado para agradar ao ouvido. Durante uma mixagem, tome cuidado para não comprimi-lo muito sem querer (de propósito vale!), pois existe a possibilidade dele já estar bem comprimido. A equalização às vezes é um problema. Não é porque um sample parece soar muito bem que, ao inseri-lo na mixagem, ele vai se encaixar direito com o resto dos takes. Assim, assuma uma posição coerente com ele, alterando-o para encaixá-lo ou utilizando-se de suas características diferentes para contribuir com sua sonoridade de forma criativa.
Você pode fazer o que quiser com o sample na sua música. Se ele estiver muito seco, coloque reverb, qual o problema? Ou, se por outro lado, uma sobra aparece muito, use um expansor ou um gate para eliminar o que atrapalha. Ele está lento demais? Acelere-o! Modifique-o, coloque um chorus nele para ver como fica. Da mesma forma que você DEVE produzir seus takes de forma a adequá-los em sua mixagem, o sample pode ser manipulado para o mesmo fim. Mas não se esqueça dos royalties…

lembro daquela entrevista que o Vanilla Ice deu em que ele cantava cada nota, comparando as duas pra dizer que não era plagio (cara de pau). Se bem que o Elephank do Balk eyed Peas (é assim?) tem muuuitas partes sampleadas de discos do Jorgem Benjor e o cara não ganhou um centavo até agora.
me parece que as baterias do Cansei de ser Sexy são sampleadas, tipo ele grava só um compasso e repete o resto, mas pro estilo deles ficou bem legal
Essa do Vanilla Ice é clássica…
Eu até comentei isso no meu blog de música eletrônica.
O pior de tudo que o Puff Daddy fez a mesma coisa com a música “Every Breath you take” do The Police, e li numa revista de guitarra que o Andy Summer ficou PDV quando ouviu essa música no rádio…hehehe
Valeu sobre o artigo!!!
Abraços!
“Antes, tudo era música ao vivo. Daí inventaram os métodos de gravação, e logo um maluco resolveu utilizar uma gravação em uma gravação. A partir desse conceito [...] as possibilidades são infinitas.”
Parece até que estou lendo a biblia. Estas tres frases sintetizam MUITA coisa, desde Pierre Schaeffer até George Martin e Phil Spector, e mais recentemente, o Kutiman. Parabéns.
Olá a todos!
Obrigado pelos comentários e elogios! Esse assunto dos direitos autorais é uma coisa muito chata em um mundo de milhões de dólares de onde vêm Vanilla Ice e Puff Daddy. Se você vai vender, pode ter certeza que pode copiar e depois “resolver”. Se você é peixe pequeno, cuidado que as gravadoras estão de olho nos “direitos” delas.
A conversa muda bastante de nível quando alguém resolve CRIAR a partir de material disponível na net, como o Kutiman. Isso não é tema para um comentário ou mesmo um post, mas sim para uma tese de doutorado!
Abraços!
Olá. Gostaria de saber de algum program de composição, que trabalhe com samplers com tonalidades diferentes: tons maiores, menores, dissonantes,etc, em tons em escalas diferentes também para com isso ir literalmente fazendo um acompanhamento completo de um arranjo. Obrigado.
Olá Alexandre
Você provavelmente quer falar de loops. A grande maioria dos programas que trabalham com loops fazem essa variação de tons – claro, você tem que ter um acorde de cada “tipo”, e apenas alterar seu tom. O Acid fazia isso bem há uns anos atrás, aposto que está igual ou melhor.
Paulo Assis