Post para perguntas de Maio!
6 de maio de 2009
Post para Perguntas de Junho!
1 de junho de 2009

noise

A primeira vez em que vi a diferença de qualidade de vídeo entre uma transmissão comum e uma Digital, fiquei assustado. A resolução gráfica é realmente muito melhor que a convencional, não há comparação. Mas quando vi televisão via PC, com um conector que recebia em 1-seg – que é a resolução portátil, para celulares – fiquei bem decepcionado, parecia que tudo estava passando por uma compressão gigantesca – o que é verdade, pois o sinal tem que ser leve para ser processado por aparelhos modestos.

A PixelView me enviou um PlayTV USB SBTVD Full-Seg para eu testar o áudio das transmissões digitais. Ele é capaz de receber os sinais de televisão digital em 1-seg, que é a resolução baixa, e em Full-seg, que é a maior.

Apesar do nome, o aparelho é bem pequeno, e vem com uma anteninha externa. Parece um pen-drive gordinho. Testei o produto por alguns dias até resolver fazer o tal teste de áudio. Fora alguns pequenos paus quando o sinal da transmissão era perdido – nem todos os canais pegam bem por aqui – o aparelho funcionou muito bem, e a imagem em resolução máxima não decepcionou nem no meu monitor full HD – claro, a qualidade da imagem e do som dependem da fonte, mas as televisões abertas estão produzindo seu conteúdo essencialmente em qualidade compatível, principalmente de imagem, como veremos a seguir (na verdade, como ouviremos).

Enfim era chegada a hora de fazer o tal teste de áudio. Fiquei me perguntando o quanto seria diferente a qualidade do áudio. De ouvido, dava para perceber alguma diferença, mas como o sinal de áudio de televisão é sempre muito mais sujo e carregado do que o que eu estou acostumado com música, admito que senti alguma dificuldade em distingüir onde moravam as diferenças.

Essa dificuldade todos podem perceber em casa. Ao ligarmos uma televisão, um chiado agudo invade o ambiente. Esse apito é característico das televisões de tubo, e acaba disapercebido quando o áudio da tevê aparece. Diferente do silêncio da música, que é próximo do silêncio digital mesmo, a televisão está sempre cheia de chiados, dos microfones, do tubo, etc. É um universo bem mais barulhento do que o das músicas!

Esse áudio, historicamente, precisava ser otimizado para transmissão. Isso acontece com todos os meios de transmissão modernos de uso comum, um bom exemplo é o telefone, que corta freqüências graves e agudas, otimizando o sinal elétrico. No mundo digital, o mp3 com muita compressão acaba fazendo mais ou menos a mesma coisa, jogando fora partes importantes dos instrumentos, mas raramente do espectro de compreensibilidade da voz humana.

A televisão também sempre cortou um monte de coisas, desde a analógica. Mas o que aconteceria na digital?

Eu fiquei mudando de canal a altos volumes, procurando diferenças mais evidentes, enquanto gravava diretamente o som do computador. Em programas dublados, a diferença era quase imperceptível – a relação sinal/ruído é péssima, e isso tem a ver com a transmissão, nada aqui no teste. Em programas ao vivo, a qualidade dependia muito do sistema utilizado, a começar com os microfones. Ficou evidente para mim que microfones de ambiente, como os utilizados nesses programas de entrevista, permitem que uma diferença mais significativa de qualidade seja percebida. Em um cardióide comum, existem muito menos agudos – não apenas pela resposta do microfone, mas pela diferença de volume entre a pessoa falando e o ambiente, que é mais amplo.

Um áudio me chamou bastante a atenção. Durante uma propaganda, o som ficou muito mais agradável na versão full-seg. Provavelmente a propaganda foi gravada em um estúdio de som, em ambiente mais controlado que a tevê ao vivo. A gravação ficou assim:
[audio:http://www.audioclicks.com.br/blog/audio/testetv.mp3]

Ao analisar graficamente as duas ondas, obtive isso:

analisetv

A onda vermelha é a full-seg, enquanto a azul é a 1-seg. Logicamente, não estou analisando exatamente o mesmo material, já que são gravações de dois momentos diferentes da propaganda – aliás, para quem não percebeu, a primeira no áudio é a full-seg, e a segunda é a 1-seg. Mesmo assim, o conteúdo é muito parecido e vale a análise.

Para minha surpresa, a maior diferença no material fica em uma equalização mais generosa entre 3 e 4 KHz, e não na diferença sutil a partir dos 8 KHz. Eu não sei se a emissora faz essa equalização nos 3-4KHz propositalmente para o full-seg parecer melhor, ou se é a própria tecnologia de conversão e transmissão que produz esse efeito. Mas reparem que nos dois casos não há áudio a partir de 16KHz, e os graves são fortes, provavelmente porque as televisões comuns têm falantes com pouquíssimo grave – e nenhum agudo de verdade além daquele chiado do tubo. Ou seja, quando você mixar para televisão, ignore o áudio a partir de 16KHz, e preocupe-se pouco som a faixa 8-16KHz.

É preciso considerarmos também que o volume do sinal não é muito alto. Isso foi bastante interessante no teste: O headroom alocado para a transmissão é enorme! Isso significa que se houvesse um melhor controle desse sinal, a transmissão ficaria muito melhor, porque tem muito volume para usar, e a compressão (eletrônica, para transmissão) certamente sofre com isso. Bastaria um compressor (dessa vez, de áudio mesmo) montado inteligentemente e a qualidade do som, teoricamente, aumentaria muito.

Apenas um canal transmitia, durante o teste, em volumes próximos do pico; Era uma novela na Record. Mas, a julgar pelas curvas e explosões das falas dos personagens, não foi passada nenhuma pós-produção no som, nenhum compressor, nenhum eq. Eu achei que as televisões cuidassem melhor do sinal sonoro enviado a seus espectadores, eu sei quanta diferença faria se houvesse uma mixagem no som dessa novela. Mas como eu não entendo muito desse assunto televisivo, acho melhor parar por aqui minha crítica – os equipamentos e prazos são bem diferentes do mundo da produção musical, então não vou me atrever muito nisso.

Gostaria de agradecer ao pessoal da PixelView pelo equipamento que viabilizou esse teste, espero que tenha sido instrutivo aos visitantes do blog!

PS: Quero ver quem ouve esse áudio que postei e não fica cantarolando a musiquinha de fundo!!!

Paulo Assis
Paulo Assis
Produtor musical, trabalha com captação , mixagem, masterização e consultoria de áudio.

5 Comentários

  1. Paulo Assis disse:

    Olá Carlos
    O meu endereço está na página de contato do site. Parabéns pela iniciativa
    Abraço,
    Paulo Assis

  2. Caros Amigos,

    Procurei um endereço de email de vocês e não encontrei?

    Gostaria de comunicar que já está no ar e vendendo a nível mundial o 1º site brasileiro de efeitos sonoros e complementos de áudio em HD para pós produção de TV, Cinema e afins. O fundador Carlos Santa Rita é também o 1º e único produtor brasileiro do segmento inserido no mercado americano em Hollywood e produz para as maiores empresas do ramo. Dái a iniciativa de criar o site http://www.soundeffectscsr.com
    Esta nova ferramenta em muito ajudará na finalização de conteúdos onde antes eram inseridos complementos de áudio que nada tinham a ver com a nossa realidade sonora. Espero que divulguem e incentivem para que o empreendimento de retorno e sobreviva. Em breve começo a postar no site complementos em 5.1

    Abraços,

    Carlos Santa Rita

  3. Paulo Assis disse:

    Olá Leonardo.
    Eu também espero que as emissoras trabalhem corretamente o som, fiquei impressionado com isso no teste.
    O que eu postei está funcionando corretamente por aqui… lembrando que existe um momento de silêncio no meio do áudio – a mudança de uma qualidade para outra – será que os problemas não estão no seu sistema? Um abraço!

  4. Leonardo M disse:

    legal o post, com a tv digitial os canais vão ter que trabalhar melhor o som transitido de agora em diante.

    mas o exemplo que vc postou não tocou legal aqui… tem muuuito chiado e o som distorçe e sai de sincronia… da pra postar em outro lugar?

  5. rafael dantas disse:

    Salve Paulo!!!

    Muito bom saber disso!!!

    abraços!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Português