
Hoje em dia pouca gente lembra quão complexo é o funcionamento de um computador. Houve um dia em que instruções eram passadas em cartões perfurados. Isso pode parecer jurássico, mas no fundo hoje em dia acontecem as mesmas operações matemáticas, só que muito mais rápidas e… disfarçadas.
Nesse momento, eu esctou escrevendo diretamente no firefox, na ferramenta do blog. Estão abertos o Outlook, o Messenger e o Foobar2000, tocando música. Além desses programas visíveis, uma infinidade de atividades está acontecendo na minha máquina, como um aplicativo que percebe se eu ligar algo na entrada USB, por exemplo – além do óbvio, como antivírus, sidebar, Firewall etc.
Tudo isso é organizado no sistema em diferentes camadas de conexão. Eu não entendo muito disso, mas basta saber que existem diferentes níveis de interação entre esses aplicativos todos. Agora sim, vamos à latência.
Latência é a demora entre você falar em um microfone, o sinal entrar no micro, ser processado e retornar ao mundo externo. Por princípio ela não é zero absoluto – o sinal elétrico caminha extremamente rápido em um circuito, mas isso não é zero “quântico”. A latência que nós músicos precisamos nos preocupar é a perceptível, de poucos milissegundos. Essa sim, atrapalha. Se você estiver com muita latência, ela acaba virando um delay. E foi assim que a nutricionista Ruth Lemos nos deu a pérola do Sanduíche. Retorno alto e com muita latência.
Mas por que essa latência ocorre? Porque o sinal, dentro do micro, está passeando em camadas erradas do sistema. Ela pode ser gerada por diversos fatores, como conversão ou interrupção. Mas não me interessa entrar nesses detalhes. O resumo da ópera é que o driver de áudio padrão do Windows passa por controles e processos que geram uma latência perceptível.
Para contornar esse problema, existem soluções bem simples. A maioria das placas de áudio hoje em dia trabalham com driver ASIO. Guarde bem essa sigla. Um bom driver ASIO significa uma latência próxima de zero. Mas para isso é preciso que o software rodando áudio saiba que esse é o driver de áudio que ele vai usar. Essa mal configuração dos softwares é responsável pela latência na grande maioria dos home studios.
Agora, se você está querendo ouvir um playback com 500 plugins e ao mesmo tempo gravar com retorno e com efeitos nele, muito provavelmente algum desses plugins da cadeia irá gerar latência. Isso se deve à necessidade de alguns plugins de analisar o sinal adiantado, para poder processar. Vários plugins de compressores inteligentes precisam fazer isso, para começar a compressão no momento exato do threshold. Desabilite alguns plugins e lembre-se das dificuldades “de antigamente”!
Apenas uma observação: Não confunda latência com sincronia. Se gravações não batem com playback, ou você canta fora do ritmo ou existe um problema maior, provavelmente na relação software e hardware, que não estão conseguindo combinar seus descompassos.

Obrigado Paulo!!!
Realmente, já notei que uma sequência de plugins rodando em “real time”, pode “fazer um sanduíche” do som e rodar o mesmo com latência.
Mas existe um limite no uso de plugins?
Por exemplo, passar um noise, depois um compressor, depois um equalizador, dai um reverb, daí não gostou de uma frequência passa de novo outro equalizdor ou compressor multibanda e assim por diante….
Obrigado pela matéria!!! abraços!!
Olá novamente Rafael!
existe sim um limite no uso dos plugins, eles todos precisam acessar o buffer e processar, e isso tem fim – claro, depende dos plugins e de sua config. Mas alguns plugins, mesmo que estejam rodando sozinhos, já geram latência. Os culpados costumam ser noise reductions e reverbs, mas isso pode atingir qq tipo de plugin.
Abraço
Paulo Assis