
Lá em Junho de 2008 eu escrevi um post sobre referência (veja ele aqui) que sucitou alguns comentários sobre a utilização de equalização. Como um leitor acabou de postar uma pergunta sobre como utilizar o equalizador, volto na questão com outro enfoque.
Um equalizador multibanda é composto por uma série de potenciômetros ligados de forma que cada um altera uma faixa de freqüência. Quanto mais bandas, melhor a precisão do que se quer cancelar ou ressaltar. Em uma mixagem, o EQ é extremamente útil para atenuar as freqüências menos importantes do canal, separando-o do resto da mixagem – esse procedimento normalmente diminui o tal “embolamento”dos canais (a não ser que por cima de tudo venha um reverb monstruoso, mas isso é outra história). Se usado com exagero, porém, elimina características essenciais do instrumento. Por outro lado, o seu uso criativo pode gerar sonoridades surpreendentes, como uma voz onde só sobram as arestade graves e agudos, ou efeitos como o som de alguém no telefone.
Para sonorização ao vivo, o EQ é quase aparelho obrigatório. Devido à qualidade (bem) variável de amplificadores e caixas por aí, um EQ é quase sempre muito bem vindo para atenuar características incômodas de um ou de outro equipamento. Para inventar um exemplo, a caixa tem uma deficiência em determinada freqüência média que faz com que ela distorça se houver picos ali. O amplificador, por outro lado, tem uma tendência a exagerar nos graves. E, por cima, a reverberação ambiente favorece uma tal freqüência aguda que cria a maior microfonia assim que se liga um microfone. A solução normalmente se encontra no EQ.
Nele, você pode encontrar cada uma dessas freqüências e, no caso, atenuá-las para eliminar o problema. Para isso, um método é abaixar todas as bandas e ir levantando uma a uma até identificar qual é a problemática. Depois, basta voltar as outras para suas posições iniciais e “brincar” com a banda culpada até o problema se resolver. Pode ser necessário alterar um pouco as bandas adjacentes para sanar o problema. Com um pouco de esforço, é possível melhorar consideravelmente o som, deixando ele mais homogêneo – para isso, é preciso ouvir com atenção algo conhecido em um monitor de referência e tentar aproximar o sistema com EQ daquela sonoridade.
Outra dica interessante para sonorização é evitar levantar bandas que não estão sendo utilizadas. Se você vai utilizar apenas voz de palestra em um microfone comum, provavelmente não precisa das freqüências mais agudas, e elas ficarão acrescentando chiado à toa. Elimine-as com seu poderoso EQ.
Para mixagem, fica uma última dica bem valiosa: Evite levantar bandas, tente equalizar apenas abaixando. Explico: Se você levanta uma faixa, você trás com ela todo seu chiado de fundo, exponencialmente. Se o volume é aumentado depois, via um compressor ou mesmo um volume comum, aquela faixa de chiado vai se comportar em conjunto com o resto do ruído de fundo. Claro, se você precisa quase mataras outras faixas apenas para valorizar uma outra, levantá-la pode ser menos prejudicial.

ótimo post Paulo, daria pra fazer um nesse estilo pra várias coisas hehe
o próximo como já foi pedido podia ser… usando um analisador de espetro na mixagem (só uma sugestão)
Pois então, Paulo, levanto aqui uma outra lebre: até que ponto vale a pena substituir os eqs numa mix por compressores multi-banda?
Já notei que para algumas pessoas essa questão assume proporções quase religiosas, tem quem defende os compressores e absolutamente não usam mais os eqs, e tem quem diga que com os compressores é muito mais fácil errar e estragar o timbre…
Poxa Lulu, que BELA lebre dessa vez! Daqui a uns dias publico um post sobre isso, tem pano pra uma fábrica de roupas, não só para mangas, adorei a deixa… Abraço!
Só adiantando, eu sou do time que tá ficando viciado no compressor multi-banda do Cubase…