
A indústria musical está em transformação, disso todo mundo sabe. O preço dos CDs está absurdamente caro, e eu não quero ficar aqui discutindo os motivos. Muitas pessoas baixam via torrent, e-mule, kazaa (ainda existe isso?) e outros monstros álbuns completos. Poucas pessoas se dão o trabalho de verificar se esse download reflete a qualidade original do álbum. Porque, discussões legais à parte, quando você baixa um monte de mp3 não necessariamente você vai ouvir o som original. Baixo bitrate, joint stereo, existem vários motivos para se preocupar com a qualidade desse áudio – claro, é totalmente possível comprimir um disco para mp3 de forma transparente, mas esse não é o objetivo purista de quem coloca músicas na net.
Ao lado do antigo fetichismo de ter o álbum original e o tal “respeito ao artista” (ou seria à gravadora?), para mim o argumento da qualidade sonora é um fator de decisão na compra de alguns discos – eu acho que eles merecem ser comprados e ponto.
Essa sessão nova do blog é exatamente para isso: Falar dos álbuns que valem a compra. Não é um review propriamente dito, é apenas uma… dica explicada. Vou começar pelo Jorge Drexler, que é um dos meus artistas preferidos.
Muitas músicas tocadas apenas com voz e violão fazem bastante sucesso. Mas muitas, muitas músicas foram compostas dessa forma e ganharam corpo durante a produção. Pequenos elementos como efeitos sonoros ou um pequeno arranjo de cordas acompanhando modificam totalmente “mais uma canção ao violão” para “aquela música memorável”. Só para citar alguns exemplos, vamos falar em Yesterday, dos Beatles e, para citar um exemplo de “piano e voz”, My Immortal do Evanescence. São músicas que provavelmente foram tocadas apenas em voz e um instrumento, se apresentaram um tanto vazias e alguém chegou com um “e se a gente colocasse umas cordas aí?”
Pronto, um bom trabalho de arranjo e temos uma das músicas mais tocadas da história (hey! estou falando dos Beatles, não do Evanescence)
Mas esse post não tem a ver com essas bandas, mas sim com o Jorge Drexler. Eu não quero fazer um review do disco dele aqui, como já expliquei, mas quero chamar à atenção seu disco novo, cara B, pela parte da produção. É um disco basicamente de voz e violão gravado ao vivo (ou quase). Por trás existe uma dupla de malucos inserindo efeitos ao vivo, editando o áudio depois da gravação e até tocando live loops gravados minutos antes, no caminho até a casa de show.
Um dia quero fazer a análise de alguns elementos desse disco com mais calma, mas fica a minha dica de álbum para o fim de semana: Cara B, de Jorge Drexler.


Ola Paulo, estive escutando drexler depois que vc o mencionou aqui e realmente fiquei impressionado! havia tempo que nao escutava algo que me chamasse tanto a atençao. alem de originalidade dos aranjos com aqueles samples e cordas bem fora de padroes as letras e composiçoes sao fantasticas! alem de um estilo de cantar curto mas muito agradavel. bom mas para os amantes do audio como eu o que eu queria e pedir que vc comentasse sobre a qualidade do som dele que é fantastico, parece que o som enche a sala com uma voz bem presente e parece que nem tem reverb. se puder comente mais sobre ele
valeu abraço!
MR.LEE
Olá Mr. Lee
Eu curto muito Drexler, mas esse disco nem é meu preferido dele, postei sobre esse porque é o mais recente e o que utiliza efeitos de pós-produção bem interessantes em uma gravação ao vivo. Sobre a voz dele nesse disco, o reverb deve ser natural, e certamente é bem controlado – é um reverb “curto e grosso”. Experimente esse tipo de reverb nas suas mixagens e verá que metade da graça do reverb não está ao longo do tempo, mas o que ele consegue fazer enquanto a voz ainda está agindo.
Abraço!
Paulo