
Muita gente fala de compressores famosos, de delays clássicos e de reverbs bizarros, deixando quase sempre de lado um processo essencial em vários momentos, mas um tanto ignorado por quem está começando no mundo do home studio: A equalização.
Ao contrário do que possa parecer, a equalização é uma ferramenta essencial para melhorar uma mixagem. Praticamente em todos os canais é possível passar uma equalização e melhorá-lo. Isso ocorre porque a captação nunca será perfeita – se você fez acha que fez uma, comece a cortar freqüências, mesmo sem saber muito bem por onde começar, e vai perceber que o sua gravação não estava tão boa assim.
A equalização não serve apenas para alterar significativamente uma sonoridade. Muitas vezes, um canal contém faixas de freqüência registradas mas inúteis para aquele canal. Atenuando essas áreas, você pode aumentar a percepção dos outros canais, se eles estivessem sendo atrapalhados pela tal freqüência dispensável – mas tome cuidado, algumas vezes é esse chiado extra que gruda sua mixagem!
Algumas vezes os graves de um canal de voz ficam muito altos, e sem olhar um analisador de espectros não se percebe sem atenção. Daí, ao passar esse canal por um compressor, por exemplo, esses graves irão enganar o compressor, fazendo ele agir quando não deveria e atrapalhando bastante a sua parametragem do compressor.
O equalizador também pode ser utilizado para dar personalidade à uma gravação. Alterando muito um timbre de voz você pode colocar um pouco de tempero em uma música que pedia um toque a mais de alguma coisa… era de eq!
Os equalizadores de uma banda funcionam basicamente com três parâmetros: Level, freq e Q – claro, milhões de outros nomes são dados por aí. Você ajusta quanto você quer atenuar ou aumentar, de qual freqüência e qual o “alcance” dessa equalização. Claro,você junt váriso desses e chama de multibanda, e assim vão aparecendo as variações.
Explico: A freqüência de um eq nunca está sozinha; é inútil (quase sempre) mexer com a freqüência 2532 Hz e querer deixar as vizinhas em paz. Assim, o Q modela a que “distância” do espectro o equalizador vai começar a agir. Um Q muito grande significa uma equalização muito precisa, tentando apontar para uma faixa pequena. Se o Q estiver pequeno, a curva de equalização alcançará pontos bem distantes da principal, se mesclando melhor à sonoridade original porém atingindo lugares nem sempre desejáveis. Roubando uma imagem da wikipedia dá pra entender bem melhor:

Vale lembrar que alguns equalizadores tem um fator Q fixo, outros fixam a freqüência – como o eq na maioria das mesas de som. Muitos efeitos, como bass boosts ou enhancers são equalizadores totalmente fixos, podendo apenas serem desligados e ligados.

Olá Paulo:
Parabéns pela matéria, entendi melhor o Q.
abraços
Joel
Fala Paulo
Venho acompanhando seu blog desde o início e isso vem acrescentando muito aos meus conhecimentos sobre o mundo das gravações, mixagens e afins.
Lendo esse seu post uma dúvida me veio a cabeça! Existe uma ordem para adicionarmos efeitos e processamentos numa track de audio?
Tipo: Equalização > Compressor > Reverb > Seilá
E outra coisa! Quando uso um VSTi e transformo esse MIDI processado pelo VSTi em audio, devo fazer isso para uma pista estereo ou mono? ou depende do instrumento simulado?
Agradeço desde já!
Abraço
Olá Lucas
A ordem dos plugins, efeitos e etc altera tudo, mas não há uma regra. Claro, existem cadeias mais comuns, mas elas não são “lei”. Agora, às vezes um compressor pede uma equalização antes dele, como eu falei no post.
Sobre a “outra coisa”, você mesmo respondeu: Depende do VSTi. Se ele gera um sinal mono (o que é raro, mas acontece) você não precisa de um take estéreo.
Abraços
Paulo Assis
Olá Paulo, poxa , acho que vc leu meus pensamentos, estava pensando justamente em levantar uma questão simples sobre a equalização na mixagem: veja só, sabeeos que é recomendável ouvir cds das bandas que gostamos da mixagem ou discos clássicos, como o Brother in Arms, certo? Quando escuto algumas músicas no Itunes, convertidas com certa qualidade, estou ouvindo-as com o Equalizador dele ligado, pois sem o eq o som perde um pouco a vida, até mesmo em monitores. Minhas questão é se devemos nos basear ouvindo-as com o eq ligado, geralmente nquela configuração clássica, de rock. Ao deixar minha mix já eq, baseada nessa referência, não estarei comprometendo o som final da mix que quase com certeza será equalizado novamente pelo ouvinte final?
Nao sei se fui bem claro, ou se estou falando bobagem, mas que teu blog ajuda, ajuda! Abraços!
Olá Gustavo
esse problema vai valer outro post!
Abraço!
Paulo Assis
Muito boa a matéria ! Parabéns Paulo !
Paulo,
gratissimo.agora vou poder utilizar o “Q” do equalizador sabendo o que estou fazendo.
Carl
Olá Paulo… Seguindo essa linha de pensamento “eq”… tenho uma dúvida constante… vou exemplificar: Uso um AKG para gravar vozes, um performer… já usei outros mic´s mais pesados que ele, porem para deixar o canal da voz mais limpo abrindo espaço para os demais instrumentos, começo cortando de 80 Hz. para baixo, mas nunca passo de 150 Hz. Equalizo cortando um pouco entre 400 á 700 Hz, e as vezes dou um pouco de médio em 2 Khz ou subo um pouco nos 12 khz… Gravei uma moça um pouco tempo e tive muita dificuldades com as partes agudas, chegando até a machucar o ouvido… percebi que cortando entre 1000 khz, dava uma boa melhorada, mas perdia o punch de voz… O que me aconselha ?
Muito obrigado Paulo e abração!!!
Olá Erison
Na verdade você tem que sair dessa linha de pensamento “eq” hehe… mantenha a eq que você fez, coloque um bom compressor na seqüência e boa sorte na parametragem… provavelmente vai valer a pena, depois de ajustar corretamente o compressor, voltar ao equalizador e ajustá-lo novamente, e assim até se satisfazer… boa sorte!
Abraço,
Paulo Assis