
Houve uma época distante na história da música em que as canções eram vendidas em embalagens plásticas. Um disco com material metálico servia de suporte à dados digitais que, lidos por um leitor ótico, se transformavam em músicas. “Mais antigamente” ainda, o suporte dos dados era o próprio plástico, dessa vez vinil, e o conteúdo era armazenado de forma analógica. Antes dos álbuns serem popularizados, versões menores desses discos eram populares, pois continham o mas atual de cada artista, uma ou duas músicas “do momento”.
É dessa distante época o “lado B”. No verso das tais músicas famosas, que acabavam indo para o “álbum” (que deve ser o coletivo de “hits”), moravam as músicas “lado B”. Elas normalmente não iam para os álbuns, e eram quase sobras de estúdio. Muitos “lado B” são takes alternativos ou versões cover de alguma coisa (claro, alguns B-sides ficaram famosos, como How Soon Is Now?, dos Smiths).
Mas não é o lado B especificamente o assunto desse post, mas sim o próprio conceito de lado, seguido da idéia de álbum. Tudo isso morreu. Quando você baixa músicas no torrent ou no iTunes, você não está mais consumindo mídia. No seu iPod, as músicas tocam fora de ordem, em critérios que você definiu (ou tentou mas acabou não definindo).
Hoje em dia é muito fácil “arranjar” discografias completas em poucas horas. Ao ouvir músicas “antigas”, lembre-se dessa divisão cronológica dos CDs e da divisão física dos lados dos vinis.
Seria bobagem dividir um conjunto de mp3 em “lado B e lado A”. Assim como isso foi abolido quando surgiu o CD, um grupo de arquivos mp3 talvez não precise de um encarte (apesar de que eu sinto muita falta dele!). Mas acho complicado essa pulverização da obra, me parece um retrocesso aos tempos dos hits com lados B…
Quando eu produzo um conjunto de músicas, tento sempre pensar que elas não fazem parte apenas de “tudo o que aquele artista fez”, mas é um recorte de uma época, de um período para aquele músico. Assim, essas músicas devem ter uma coerência entre si e, mesmo que não sejam uma dúzia para chamar de “disco”, forme um coletivo chamado “álbum”.

Nas últimas discussões em masterizações que participei para decidir a ordem das músicas de um disco, minha posição tem sido a mesma: ordem alfabética!
Salve Lulu!
Uma vez eu viciei tanto em ouvir as músicas na ordem alfabética que ficou bem difícil mudar a seqüência depois. Sugeri manter assim, mas fui levemente execrado! Mas seu comentário até me fez ir ver a ordem do Daqui pro Futuro hehe
Abraço!
Paulo Assis