
É muito agradável, num primeiro momento, encher uma mixagem de reverb, principalmente nos canais de voz. O excesso de reverb é um erro muito comum de quem está começando a mixar. A voz parece mais “cheia”, “real”, entre vários outros adjetivos um pouco abstratos, um pouco sem sentido. É verdade. Mas essa sensação é apenas um efeito colateral da função real de um reverb.
Você pode usar um efeito, qualquer efeito, da maneira que você quiser. Não sou eu que vou dizer o que está certo ou errado. Mas, se você quiser causar a sensação de presença do vocalista, de proximidade, o reverb pode não ser uma boa escolha.
O reverb insere um canal em um contexto ambiental. Real, virtual ou totalmente artificial, os reverbs estão aí para somar depois de um input. Em um ambiente físico, uma fonte sonora sempre vem acompanhada de reflexões, diretas e indiretas, do ambiente onde ela está. O som sai dela e bate em todos os objetos – paredes, instrumentos, músicos – para chegar, de todos os lados, no seu ouvido. Quanto menor a absorção sonora desses obstáculos acústicos, mais eles tendem a refletir (eles podem transmitir também, mas isso não interessa agora). E ir para seu ouvido.
Assim, um cantor de chuveiro tem sua voz multiplicada pelos azuleijos do banheiro. E, ampliando o espaço, como em uma garagem de shopping, por exemplo, se alguém grita do outro lado, somos incapazes de apontar com precisão onde está o perdido sem vê-lo, por causa das inúmeras reflexões nas paredes lisas e nos carros.
Essa dispersão sonora deve ser evitada a todo custo se não for desejada durante uma mixagem. Afinal, se você não quer parecer uma “banda de garagem” ( ok, a piada foi péssima), seu vocalista não pode parecer que está cantando em uma.
Utilize reverbs de forma adequada, para fins desejados. Se você colocou um reverb em um canal e pensou “esse aspecto melhorou, MAS…” – pare tudo. Você está buscando um resultado usando o efeito errado.
Mas como trazer a voz para frente?
Reverbs sempre vão ajudar nisso. Mas se usados com esse fim. Quando se coloca muito reverb e a voz “aparece melhor, MAS”, na verdade o que acontece é que, com o acúmulo de reverberação, existe um aumento real de volume em algumas faixas, aumentando a presença em determinados espectros. Além disso há o fator de reverb mesmo, que diz ao seu cérebro se uma fonte sonora está mais próxima ou mais distante.
Se você ouve algo longe, repare que o som sempre está disperso, com presença em todo o espaço sonoro. Já quando alguém conversa com você bem de perto, existe uma diferença muito grande entre o som direto dela e as reverberações do ambiente. Assim, você sabe exatamente onde ela está. Isso é extremamente útil para mixagem, e é a forma “normal” de se usar o reverb: Posicionamento de canais na construção do espaço sonoro da mixagem – claro, existem infinitas maneiras alternativas de se usar um reverb.
Enfim, para trazer a voz “para frente”, utilize sim o reverb. Mas apenas para destacar no espaço, sem criar grandes sonoridades por trás – novamente, se esse é seu objetivo. Está “na moda” mixar vozes bem secas, e para chegar nisso você tem que arrumar calor e presença sem utilizar muito esse recurso do reverb.
Utilize compressão. Muita compressão. Erre na compressão. Isso mesmo.
Assim, você saberá o que é o excesso e poderá sentir onde está o erro. Depois disso, volte e pare no ponto onde a voz fica bem na frente sem comprometer timbre, dinâmica e nível de sinal. Daí sim, adicione o reverb. Um reverb bem curto, com reflexões diretas e rápidas. Você terá um vocal “bem na frente”, finalmente. Se você gravou corretamente, ficará bem parecido com a produção atual de rock. Claro, talvez seja necessário colocar outros efeitos, trocar de vocalista, etc. Mas isso é outra história…
Só não vá ouvir os grandes discos “clássicos” de rock, porque você vai querer jogar fora toda esse trabalho e colocar um monte de reverb novamente. Ou melhor, ouça sim. Defina o que você quer para o seu som, e me conte aqui em baixo, nos comentários, como você chegou nele! Você também já teve problemas com reverb em vocais?

Adorei o post… muito instrutivo!!!
na minha região os teclados eletrônicos predominam e sinônimo de
boa gravação aqui pra eles é excesso de reverb… rsrsrs
parece brincadeira, mas ja deixei alguns trabalhos de lado por conta disso… prefiro manter a minha boa reputação.
continue assim adoro seus posts…
Um abraço!!!
Olá Cristiano!
Obrigado, os comentários servem exatamente para eu balizar meus temas de posts, quanto mais gente comenta, melhor fica o blog.
Excesso de reverb é praga universal, até porque é bem mais difícil trabalhar com pouco.
Um abraço!
Paulo Assis
Muito bom, realmente o reverb é um problema, quando mau utilizado.
Abraço e continue postando coisas maneiras aí.
O reverb é terrível! eu recomendo usar um “brilho” bem
leve na voz, isso ajuda a projetá-la. se for no sound forge,use o “plate ou o long hall”sao os melhores, use tambem a ferramenta smooth/enhance para deixar o som mais vivo ou brilhoso……quem quiser maiores dicas meu email é
robertonovafm@hotmail.com
Me lembrei do Kid Abelha nos 80, parecia q a Paula Toller tava cantando lá no fundo do corredor, e a banda ao nosso lado!!!
Reverb bom é quando vc “não escuta” o efeito.
Olá Klaus
Essa definição do bom reverb é bem complicada, mas eu concordo perfeitamente com ela. Se você percebe que algo está fora em termos de reverb, é porque está errado – porque mesmo quando é MUITO exagerado, se gruda na mix, funciona e é isso que importa – cria um clima, e não uma massa de retalhos.
Paulo Assis
Me perdoem os amigos ai de cima, mas , em minha modesta opinião, o reverb é uma ferramenta maravilhosa, da brilho ao som da macies à vóz e os ouvidos que estão no ambiente, trabalho na noite, se sentem agradecidos. Claro que todo equipamento tem que se saber usar. Eu venho da concepção dos sons dos anos 80, e não acho que tenha que se mudar para coisas que estão na moda. Essa fraze hoje se usa pouco efeito na vóz. Isso para mim não diz nada, pois tenho minha personalidade pessoal e conseqüentemente em meu som.
Na boa! Abraços
Olá Freddy
Eu concordo em parte com o que você diz, o reverb tem que ser usado sim, e muito. Eu só acho que quando os tempos de reverberação são muito grandes, o som embola, não amacia. Como você disse, tem que saber usar. Mas não se usa pouco efeito na voz não, se usa muito mais do que nunca! Apenas os reverbs não estão tão grandes como nos anos 80…
Abraço!
Paulo Assis
RAPAZ, INTERRESANTE ESSE ASSUNTO.
SOU VOCALISTA DA BANDA ARTRÓPODES, PUNK-ROCK-HARDCORE, E REVERB NO MEU CASO, NÃO CAI BEM, EU USO O MÍNIMO POSSÍVEL, PQ COMO O SOM É MUITO RÁPIDO, SE COLOCAR MUITO, AÍ É QUE NINGUÉM VAI ENTENDER NADA MESMO. RSRSR
VALEU!!!
Sim, longos tempos de reverb atrapalham a compreensão da voz. Mas usar um reverb bem curto – e talvez até um gated – pode “melhorar” a dicção do vocalista, e posicionar a voz no lugar correto de uma mixagem.
Paulo Assis
Olá Paulo!
muito se falou de outros efeitos substituindo o reverb
Pra voz ao vivo, qual seria o melhor efeito então?
Olá Amanda
Até fui reler o que tinha escrito no post para ver se eu falava de substituição de reverb… o que acontece é que as pessoas utilizam o reverb e gostam de alguns “efeitos colaterais” dele, como re-equalização e compressão (por repetição da fonte). O produtor precisa saber separar o que deseja, para utilizar adequadamente o efeito correto. Para equalizar você não precisaembolar o som; basta utilizar um equalizador!
Ao vivo funciona de maneira semelhante, às vezes as pessoas enchem tudo de reverb ao invés de equalizar, porque aquele reverb específico acaba compensando algum buraco no som da sala. No final, é tudo questão de ouvir com consciência.
Paulo Assis
Cara Muito Interessante.. Valew… TAva Precisando Aprender Um Pouco Disso…
O reverb é terrível! eu recomendo usar um “brilho” bem
leve na voz, isso ajuda a projetá-la. se for no sound forge,use o “plate ou o long hall”sao os melhores, use tambem a ferramenta smooth/enhance para deixar o som mais vivo ou brilhoso……
Como toda ferramenta, o reverb mal utilizado é terrível mesmo! Um abraço, Paulo Assis
no programa Raul Giul ele colocam um reverb espetacular na voz dos participantes! vc saberia como seria aquelas configuraçoes por exemplo em em plug-ins da wave? em predeley……Roomsizy….decaytime ect. se souber essas configuraçoes passe para nos obrigada.
Olá gente também gostaria de saber sobre o a mixagem nos microfones dos participantes do programa Raul Gil…valew
Esse negocio de mixagem da moda é papo furado pra mim pq, os U2 por exemplo lançaram o cd achtung baby em 1991, indo contra a maré e venderam milhares de copias e uma turne mundial bem sucedida, com efeitos de eletronica e tudo, isso não conseguiu diminuir o brilho das letras de Bono como na musica One, pra mim o negocio tem que ser do instinto, originalidade e criatividade é o que faz o sucesso definitivo! ate +
Putz, não tenho idéia do que eles usam, mas deve ser algo simples, um reverb bem cheio de diretas e com decay médio. Mas isso é um chute! Aliás, vocês gostam desse tipo de som “fulano cantando em programa de auditório”? Eu odeio, perde toda a definição de voz etc (é por isso que eles utilizam). Enfim, gosto é gosto!
Abraços
Paulo Assis
Concordo que é preciso seguir os instintos e etc, mas comercialmente isso é complicado. Como produtor, nem sempre o cliente te dá essa liberdade, e as referências às vezes tem que ser seguidas à risca. O que é uma pena, porque isso poda muita a criatividade…
Abraços
Paulo Assis
Colega concordo em parte com auditorio, + esse U2 é um dos poucos que são usam com sucesso esse ecletismo musical, agora eu detesto o tipo de mixagem utilizada pelo Roberto Carlos, ne? ele pode ser rei, pode ser o um grande cantor, mas nas musicas dele o canal da voz parece estar la em cima, da impressao que o gogo dele vai sair pra fora da caixa, voz alta demais é ultra irritante, meu deus!
Muito prazer, Paulo
Muito interessante o seu Audioclicks. Parabéns. Na minha opinião, cada um deve ler seus toques com atenção e experimentá-los, na prática. Eu, por exemplo, tenho um programa de 3 horas semanais em uma webradio e luto muito com a captação da voz, por diversos motivos: moro, parte do tempo, no Rio, parte em Petrópolis. Trabalho com publicidade e tenho que gravar os programas nas janelas de tempo. Com isso, mudam-se os ambientes – não gravo em estúdio – e é uma luta para chegar lá no timbre e na equalização. Por questões diversas não uso mics de boa qualidade, mas uma ou duas coisas posso afirmar: uma é que o reverber já estragou mais do melhorou; a outra é a capacidade de cada para gravar flat e analisar as frequência que sobram e que faltam. Aí entra a figura mágica do equalizador, seja gráfico, paramétrico ou paragráfico. O reverber sempre dá o ar de sua graça. Mas como coadjuvante. Forte abraço.
Olá Sergio
Obrigado. Reverb é secundário mesmo, principalmente em situações de gravação com ambiência já existente. Eu gasto muito mais tempo com EQ – e mais ainda com compressão.
Abraço!
Paulo Assis
Valew msm !!! Tenho muitas duvidas com os meus vocais aki !! E teu post foi de muita valia pra mim !!! Obrigado por vc compartilhar um pouco da tua experiencia com os amigos !!! Muito gratooo !!!
Eu tenho uma duvida cruel: eu gravo a voz direitinho mas na hora que eu vou ouvir o som da voz sei la como se diz a voz não não combina com os instrumentos. Não fica igual nas gravações das musicas tudo com o efeito certinho o que eu faço ?
Olá Matheus!
É complicado mesmo, o que você está me perguntando é “só” a parte mais difícil de mixar, e às vezes é preciso mudar toda a mix pra adequar a voz. Tente ler bastante sobre tratamento de voz, compressão, reverb etc.
Boa sorte!
Paulo Assis