
Muitas vezes, a captação de uma apresentação ao vivo deixa a desejar. Para captar com precisão uma banda tocando em um palco é preciso muito cuidado, devido a retornos de áudio, peças separadas de percussão e os próprios níveis de gravação, que podem não ser prioritários por conta do equilíbrio dos sons ao vivo. Assim, uma captação muito boa eleva os custos de produção de um show a alturas algumas vezes inviáveis.
A solução mais comum é a famosa “gravação da mesa”, onde o som é registrado em estéreo da maneira que vai para a amplificação da casa de espetáculos. O resultado nem sempre é satisfatório, pois não contempla a ambiência do show, nem alguns instrumentos em níveis corretos devido ao volume próprio deles – alguns nem passam pela mesa, dependendo da produção disponível.
Muitas vezes aparecem para mim trabalhos de masterização de materiais “da mesa”. O produtor não foi contratado no momento correto e só resta tentar melhorar uma gravação estéreo. Nem sempre o resultado é satisfatório, mas dependendo do que foi gravado e como tudo foi processado, podemos chegar a resultados surpreendentes.
Aqui conto um pouco da história do clipe da banda Pedra Branca, que estava gravando o show em vídeo para editar clipes com o áudio de seu trabalho em estúdio. Depois da apresentação, foi decidido tentar trabalhar a tal “gravação da mesa” para que o som ficasse mais vivo no clipe.
O áudio, como esperado, não veio em condições muito favoráveis, o que exigiu um trabalho pesado de masterização para trazer a sonoridade da banda nos níveis corretos. Foram usados um limiter para aumentar (muito) o nível da gravação, um simulador de compressão valvulada para esquentar o áudio e maquiar um pouco a falta de resolução original, uma equalização leve para acertar fatores de distorção por conta novamente do nível de gravação e um processador múltiplo para dar mais vida e ambiência ao som.
Mesmo depois dessa grande transformação no áudio, algumas partes da música faltavam. Agumas entradas de linha, ao vivo, tinham ficado baixas. Além disso, partes da percussão não haviam sido captadas, especialmente os bongôs e o berimbau.
Como a banda tem um DJ que gera uma base eletrônica ao longo da música, não houve problema algum de sincronia com a versão de estúdio, já que a base é exatamente a mesma. Assim, ao invés de realizar overdubs específicos para a apresentação, alguns canais da gravação do CD foram utilizados para substituir o que não tinha sido captado corretamente ao vivo.
Trazer o calor da apresentação aos canais de estúdio também foi uma tarefa complexa, devido à diferença da qualidade do material. Nos canais com instrumentos muito perceptíveis, como o berimbau, o som foi trabalhado com compressão multibanda para se adequar às respostas de espectro do som ao vivo. Além disso, foram utilizados esquentadores e processadores para aproximar os canais à vida fornecida pela masterização no canal ao vivo.
Na versão de estúdio, a cítara tocada tinha alguns efeitos pós processados, como delays e alguns flangers em trechos. Para trazer essa característica para a apresentação ao vivo foi utilizada apenas o canal dos efeitos, sem a cítara original. Isso cresceu sua presença consideravelmente, o que estava faltando na captação “da mesa”.
Algumas automações foram feitas para adaptar os takes à maior dinâmica da apresentação. Além disso, ao final foi executada uma leve masterização na saída mixada para finalizar os níveis com precisão.
Você pode ver o resultado no vídeo abaixo:
E você, já apanhou muito de algum material gravado ao vivo?

Caro colega: Tenho uma pedaleira v-amp2, e um mixer da behringer, quando ouço minha guitarra no fone, ligado na pedaleira, o som é maravilhoso, mas quando ele é ouvido no fone do mixer, o som é diferente, é inferior. Devo comprar um pré amplificar melhor?
Olá Joel! Talvez você não esteja utilizando corretamente a saída do v-amp. Verifique se você está utilizando a saída de linha configurada corretamente. Ela deve entrar em uma entrada de linha (line in) na sua placa. Se mesmo assim o som não está bom, o problema é a sua placa que tem um conversor analógico/digital ruim, que corrompe a qualidade do som.
Boa sorte!
Paulo Assis
entao ficou legal sua soluçao pra mast!
cara eu tenho um pouco de dificuldade pra fazer o som falar alto a mix fica boa gosto de perder tempo na mix
mais na mast num sei se faço certo as vzes comprimo demais enao tiro o som porrada tao alto fica magro preciso de um ponto de partida abraçao
Olá Elison
“Falar alto” na mix muitas vezes significa ter um controle adequado de compressão e EQ. Alto não significa tudo achatado lá em cima, muitas vezes pode querer dizer apenas clareza e definição no som. Acho que acabei de dar um belo ponto de partida, abraço!
Paulo Assis
Ô Paulo! Ficou muito bom o clipe. Na mesma onda, me lembrei do “Piratas Do Karnak”, CD duplo só com gravações tiradas direto da mesa ao longo de toda a história da banda, sem nenhum overdub ou edição – foi tudo masterizado do L+R original. Quem sabe, apesar das imperfeições e erros, seja o album que melhor retrate o que era o som do Karnak.
Claro que ajudou muito ter um técnico de PA bom – no nosso caso, o extraordinário Evaldo Luna.
Salve Lulu! (Olá Lulu fica um pouco aliterado demais)
Valeu! É, aqui eu precisei recorrer às gravações anteriores, mas no final foi praticamente para puxar o som que deveria ter sido gravado da mesa. E metade da brincadeira foi exatamente essa, fazer um som encaixar no outro, quase um “underdub” hehe
Abraço!
Paulo Assis
Eu estou ajudando a fazer um de uma banda gospel e hj o lance é gravar ao vivo mas como vc disse é muito caro fazer uma captação legal no nosso caso a gente optou por gravar tudo em studio .. depois gravar a igreja com um mic de over e imbutir na no bolo e ma mix aplicar um reverb de leve pra dar um ar da ambiencia do ao vivo tem ficado legal assim que possivel postarei o link pra vcs ouvirem um grande abraço …
Paulo uma duvida, eu trabalho numa igreja e la os musicos gostam do som la nas alturas, ja botei monitor individual pra cada um so q eles reclamam que o som no fone as vezes perde peso, so que os fones são de primeira, uso os portapro da Koss, o que seria? Outra duvida é que eu gosto de gravar eles tocando durante o louvor, uso uma interface da m-audio, so que as vezes como exemplo o violão, o musico toca bem baixinho, calmo, daqui a pouco ele toca com tudo e fica aquela coisa estridente, será q colocar uma compressor insertado na mesa é errado?
Eu gosto muito do Portapro. Talvez o problema seja o nível de saída nos fones, algo antes deles – se um volume em algum lugar está muito baixo, mesmo se outro volume aumenta depois, o sinal pode perder frequencias, distorcer e ficar ruim.
Um dos usos mais comuns para compressor é exatamente esse. Talvez na sua mesa já exista esse efeito; você pode utilizá-lo, ao invés de comprar um compressor externo.
Boa sorte!
Paulo Assis